Mértola – A Vila Museu
Mértola foi o nosso destino escolhido para uma pequena, mas agradável estadia. Para escapar da rotina diária, para aproveitar os dias quentes de Maio, para respirar novos ambientes, mas, acima de tudo, para conhecer uma terra que, mediante a herança cultural de vários povos que aqui se cruzaram, ficou rotulada de Vila Museu.
No entanto, a escolha desta milenar vila alentejana deveu-se, também, à 6º edição do Festival Islâmico, que decorreu de 19 a 22 de Maio, e que permitiu, uma vez mais, celebrar a herança histórica desta vila e a sua forte influência islâmica. Realizado de 2 em 2 anos e sempre em anos ímpares, este é um festival imperdível dominado pela animação, pelo conhecimento, pela sabedoria e pela cultura, tal como o expressaram a gastronomia, o artesanato, a música, a dança, o teatro, as feiras do livro, as exposições, as conferências, os colóquios e, sobretudo, o Souk, o mercado árabe improvisado nas ruas da vila e marcado pelos cabedais, pelos chás, pelos incensos, pelas especiarias e pela mistura de vozes dos comerciantes, oferecendo a Mértola cores, sabores, aromas, sons e texturas simplesmente exóticos.
Mas, uma vez em Mértola, a nossa curiosidade não ficou apenas pelo Festival Islâmico. Tempo houve ainda para conhecer uma parte do património monumental mertolense, como o Castelo, um reaproveitamento cristão da antiga mesquita muçulmana, a Igreja Matriz com o seu perfil romanizado e islâmico e o Campo Arqueológico com diferentes áreas de intervenção e investigação organizadas em 3 núcleos, a saber, o Núcleo Romano, o Núcleo Visigótico e o Núcleo Islâmico.
E, se por um lado, a gastronomia de Mértola já seria uma razão suficiente para visitar a vila, dado o borrego do Baixo Alentejo e o porco alentejano serem a matéria-prima de uma multiplicidade de pratos locais; o pão ser o elemento central em especialidades gastronómicas como as sopas, os ensopados, as migas e as açordas; os tradicionais biscoitos como as costas, as pupias e os caracóis; os queijos e os enchidos e o vinho regional alentejano; por outro lado, também o artesanato de Mértola poderia ser uma razão de visita, pois o visitante não consegue ficar indiferente ao trabalho elaborado das mantas de lã, das toalhas de linho e de algodão e dos sacos para o pão.
Não deixámos Mértola sem dar um passeio de canoa pelo rio Guadiana, aliando, assim, o prazer de um passeio fluvial ao visionamento da riqueza paisagística que este rio oferece. Como sempre, não nos esquecemos dos nossos familiares e amigos e, como tal, trouxemos algo tradicional de Mértola para lhes adoçar a boca e, ao que tudo parece, a duplicar! Para os nossos tão estimados seres que não tiveram a oportunidade de vir connosco até à Vila Museu, resolvemos presenteá-los com uma embalagem de… bombons de chocolate com mel!
De facto, são muitas as razões para uma visita e estadia em Mértola, actualmente uma vila pacata, mas, outrora, um local movimentado por povos tão diversos como os Fenícios, os Cartagineses, os Romanos e os Árabes. Quanto às propostas de alojamento, as ofertas são circunscritas a unidades residenciais, a casas de hóspedes e a alojamentos particulares. Seja como for, em qualquer uma delas encontra-se a simpatia e a hospitalidade das gentes locais.
Mértola é um lugar de autenticidade, de genuidade, de tradicionalidade e de tranquilidade, onde apetece ficar e desfrutar. Terra de um passado milenar, de paisagens singulares e de pequenos refúgios, a Vila Museu é, por assim dizer, uma terra de cantos, recantos e muitos, muitos encantos!